Nunca vivi nenhuma tempestade, acho. Ou pelo menos não as vi de perto. Sei que há uns anos houve uma por aqui...levou duas pessoas...um tinha a minha idade. 11 anos. Deve ter sido a maior catástrofe a que assisti. Não gosto de tempestades. Mas também não gosto de as deixar passar, admito.
Eu agarro o que posso quando posso. E se na tempestade é quando eu sou mais eu e tu és mais tu, eu vou ficar nela. Não vou esperar que passe. Porque sempre deixei passar. E não correu bem...passou à minha volta, passou por mim, mas eu não fiquei sem ela. Eu não me desapego assim. Não esqueço assim. Não consigo perdoar assim. Devia. Mas não sei faze-lo.
Eu não quero explicar-me mais. Tu já devias saber tudo. Já devias estar farto de saber, tudo! Porque eu falo. Falo pelos cotovelos, como se diz. Eu digo isto e aquilo, o que devo e o que não devo. Digo alto e digo baixinho. Digo direta e indiretamente. Digo uma só vez. Mas às vezes não paro de me repetir e repetir e dizer o mesmo vezes e vezes sem conta. Mas digo, digo sempre essas vezes e vezes sem conta, sempre na esperança que assim a tempestade passe, rápido...rapidinho. Porque senão não passa, pode passar para ti e para ele e para todos. Mas de mim não passa, não sai.
E eu lá fico, agarrada. Paranoica. Insistente. Sem conseguir sair. Eu não corro tanto como tu. Não mantenho a calma e procuro por outras saídas. Não penso racionalmente quando vem a tempestade. Mas "porra", tu já devias saber, Tu já devias estar farto de saber.
Eu acredito em mim. E que um dia vou sair disto tudo sozinha. Sem precisar da tua mão a puxar-me. Da tua ou da de quem for. Porque eu sei que quando quero, eu consigo. Mas sim...eu sou um bocadinho preguiçosa. E por agora, fui achando que na tempestade só se saía junto. Que se eu ficava presa, tu ficavas também. Que "não se deixa um homem para trás". Estava enganada. Não, não estava burra. Nem parva! Estava enganada. Iludida com a ideia de que tu ias ficar numa tempestade só porque eu estou. Mesmo que a tempestade sejas tu. E tu nem vejas isso.
Passa-te sempre tudo um pouco ao lado...
A palavra é uma arma. E eu às vezes perco um bocadinho o controlo das minhas armas. Não queria perder o controlo das nossas tempestades. Mas sabes? Não está fácil ultrapassa-las sozinha.
Ficará...ficará com toda a certeza.
1 comentário:
Escreves lindamente, Inês.
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